O Impacto do Primeiro Contato na Evolução das Civilizações VI

por Cássio Siqueira

Quantidade de civilizações em nossa galáxia

E qual seria essa probabilidade de existência de vida em nossa galáxia? Em um artigo da revista eletrônica SciNews[11], Westby e Conselice[12] estimam que haja 36 diferentes espécies de vida inteligente capazes de comunicação (Communicating Extraterrestrial Civilizations – CETI) em nossa galáxia, separadas por uma distância média de 17.000 anos-luz e muito provavelmente hospedadas em sistemas de estrelas do tipo anã-vermelha. Claro que 36, nesse estudo, é o número mais provável de uma faixa que vai de 4 a pouco mais de 200. A distância estimada – os tais 17.000 anos-luz – ultrapassa em muito nossa atual capacidade de comunicação, o que impossibilita qualquer detecção em um futuro previsível. O cálculo leva em conta dois principais parâmetros:

  1. A estimativa de que a evolução de vida inteligente precise de aproximados 4 bilhões de anos para se desenvolver. Pelo menos, em nosso planeta foi assim;
  2. O tipo de estrela hospedeira deve ter índices de metalicidade semelhantes ao de nosso Sol.

Por “metalicidade”, explico que em astronomia quaisquer elementos químicos que não sejam hidrogênio ou hélio são considerados “metais”; um conceito que hoje soa estranho, mas trata-se de nomenclatura consagrada em astronomia. Esse índice acaba determinando a probabilidade de formação de planetas rochosos ao redor da estrela.

Para esse estudo, os autores estimaram um período de aproximadamente uma centena de anos de propagação de ondas de rádio, o que acabaria levantando interessantes questões de sincronismo ao se analisar os períodos em que essas civilizações emitiram seus sinais e o tempo a partir do qual tornamo-nos capazes de escutar. Como ainda não observamos nada, duas possibilidades vêm sendo analisadas: estamos mesmo sozinhos na galáxia; ou civilizações tipo CETI realizam transmissões por um curto período de tempo antes de se tornarem extintas. As inquietantes razões mais prováveis para a extinção dessas civilizações mais complexas não só estão em debate como também alimentam a imaginação de cientistas e (por que não?) um sentimento de precaução de muitos autores de ficção científica, distópicas ou não.

Por outro lado, o mesmo estudo estima a existência de dezenas, talvez centenas de bilhões de planetas diferentes com vida primitiva, populações que não tentam se comunicar com ninguém e que se ocupam principalmente de sobreviver[13]. Para exemplificar esse tipo de população, posso citar o caso dos dinossauros em nosso próprio planeta. O website usgs.gov[14] propõe que, se comprimíssemos o tempo decorrido entre o aparecimento do primeiro dinossauro e os dias de hoje em um calendário de 365 dias, veríamos seu surgimento em 1º de janeiro, e a extinção teria acontecido na terceira semana de setembro. Quanto a nós, só teríamos aparecido na véspera de ano novo. Até onde sabemos, todo o tempo em que os dinossauros estiveram aqui não foi suficiente para que desenvolvessem qualquer coisa que pudesse remotamente ser comparada a uma sociedade organizada – os quase nove meses de nosso calendário comprimido –, enquanto que os humanos em menos de um dia desse mesmo calendário foram capazes não apenas de se organizar e de formar diferentes culturas e civilizações, mas também de alterar de forma importante o equilíbrio do meio ambiente do planeta, sendo a parte de maior peso na equação da causa da sexta extinção em massa testemunhada pelo planeta Terra[15]. Penso que se o meteoro[16] que matou os dinossauros tivesse errado o alvo, essas criaturas ainda hoje dominariam o planeta, que seria então apenas mais um exemplo de vida do tipo previsto por Westby e Conselice em seu artigo (supracitado).

Gosto de especular sobre o tipo de influência que poderíamos ter nessas populações alienígenas: nossa interferência poderia fazer com que desenvolvessem uma cultura própria ou até, quem sabe, uma civilização? Eu torcia o nariz para a ideia até recentemente ler artigos sobre a gorila Koko, já falecida, que se comunicava usando linguagem de sinais[17]. Um esforço letivo desse tipo em um grupo de indivíduos de algum exoplaneta seria certamente um experimento fascinante.

Na próxima semana: Juntando tudo

Notas

[11]
http://www.sci-news.com/astronomy/communicating-extraterrestrial-civilizations-milky-way-08536.html em 12/09/2020

[12]
The Astrobiological Copernican Weak and Strong Limits for Intelligent Life, Tom Westby e Christopher J. Conselice , disponível em https://iopscience.iop.org/article/10.3847/1538-4357/ab8225
em 12/09/2020

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